Teutônia

Natal Gaúcho emociona espectadores

Nascimento do piazinho Jesus reconta história bíblica a partir da cultura gaúcha

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Natal Gaúcho emociona espectadores

A área coberta do Centro Administrativo ficou repleta nessa quarta-feira à noite. A peça contou a história do nascimento de Cristo na versão gaúcha, em que um piazinho nasceu em um galpão nos pagos gaúchos.

A narração de um peão simples, de sotaque carregado, abordou ainda os desmatamentos e o mau uso do solo com plantações de eucaliptos e pinos que assolaram aqueles “pagos”. José e Maria, peão e prenda, tomam chimarrão ao redor da fogueira e lembram de como era a vida no passado.

Quando o casal foge da zona rural para a zona urbana, mostra também o êxodo dos jovens do interior. A negação da hospedagem e o prejulgamento das comunidades fazem com que a prenda dê à luz num galpão de uma localidade distante – num ato de solidariedade de um morador. É ali que o piazinho Jesus recebe as visitas mais simples e importantes da história.

Para o diretor que também escreveu a peça, Antonio Lopes, é importante que o poder público abarque projetos como esse, envolvendo setores culturais da cidade. A reação do público, segundo Lopes, foi emocionante. “O que nos toca o coração a gente jamais esquece.”

O espetáculo teve ainda a participação do Grupo de Danças da Melhor Idade e Centro Cultural 25 de Julho, sob coordenação de Sônia Gomes. O dançarino com necessidades especiais, Jones Sebastião Nunes de Moraes, fez parte da dança tradicional. A trilha sonora, muitas vezes foi ao vivo, com a participação da banda Luz de Candieiro. Em cada cena, a plateia participava com uma salva de palmas.

Segundo o secretário de Cultura Ariberto Magedanz, a iniciativa da secretaria foi de alguma forma fazer com que as entidades retribuam os incentivos do Executivo, doado aos grupos tradicionalistas ao longo do ano. “É a primeira vez e ainda não temos a dimensão disso, mas nunca se viu na região algo semelhante.”

Para o estudante Rômulo Prediger, 24, foi uma surpresa a história bíblica ser contada no cenário gaúcho, incluindo o sotaque dos personagens e as vestimentas. “Ficou muito bom, me surpreendi.”  O eletricista Jair Machado, 64, levou a mulher e as duas filhas para uma noite diferente. “A gente sempre procura por eventos desse tipo. Deveria ter mais vezes”, afirma.

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