Lajeado

Nostalgia nas ondas dos rádios antigos

Colecionador tem mais de 60 peças raras, que mostram beleza nas curvas da madeira

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Nostalgia nas ondas dos rádios antigos

O comerciante Eduardo Bender, 33, ganhou um rádio a válvula do amigo Paulo Fiel faz seis anos. Era uma peça rara, mas estava atirada em um galpão, cheia de pó. Assim que ganhou, Bender mandou consertar. Foi até a oficina do Seu Aloísio, conhecido no ramo da eletrônica de rádios e TVs.

Depois da troca dos capacitores e das válvulas ressecadas, o rádio voltou a funcionar, mantendo a mesma sonoridade e originalidade. “Achei o máximo trazer à vida um aparelho da década de 1950”, empolga-se.

A maioria das raridades que coleciona faz parte da história, pois transmitiu a Segunda Guerra Mundial e as notícias que marcaram o país como a resistência de Leonel Brizola, no golpe militar de 1964, ou até antes, em momentos tristes como a final da Copa do Mundo de 1950, o Dia D no Maracanã.

Hoje as ondas curtas sintonizam as rádios locais e seguem acompanhando as últimas notícias. Todas as peças são originais e a maioria dos rádios que coleciona sintoniza a frequência AM. A cada dia, Bender precisa ligar um diferente para escutar as notícias da região. Para manter em bom estado, pois os aparelhos estragam se não forem usados. “Escuto a Independente, Gaúcha, rádios de Santa Cruz do Sul, Encantado e Novo Hamburgo. Eles têm uma sintonia boa.”

Na mesma loja que oferece acesso a internet, horas em jogos on-line e telas slim com gráficos avançados, uma parede repleta de rádios antigos. “Saber que eles representam o início de tudo e que escuto a mesma sonoridade que pessoas daquela época ouviam é mesmo empolgante.”

Colecionador efetiva a maioria das vendas de peças antigas pela internet. Valores variam entre R$ 600 e R$ 1.000

Colecionador efetiva a maioria das vendas de peças antigas pela internet. Valores variam entre R$ 600 e R$ 1.000

Hobby retrô

Nascido em 1983, Eduardo teve em casa a influência necessária para buscar no passado a satisfação do presente. A nostalgia é incentivada pelo pai Arnulfo. Enquanto embalava mais um rádio antigo para entregar a um cliente, mostrava outros objetos eletrônicos antigos como videogames e toca-discos de vinil.

Na parede junto às ilhas de acesso aos jogos e internet, os rádios de madeira se destacam. O mais antigo é um Philco, 1938. No valor da etiqueta, R$ 900. Mas há rádios ainda mais caros, devido ao design ou mesmo tamanho.

A venda desses objetos ganhou força há dois anos. Junto aos rádios, caixas com LPs das mais variadas bandas aguçam os colecionadores. Do outro lado, em um balcão de vidro, os primeiros videogames como Master System, Megadrive, 16 Bit da Sega, Atari, Nintendo. E jogos. Muitos cartuchos para jogos nostálgicos. “De alguma forma os equipamentos antigos fazem remissão ao passado para que vejamos o quanto evoluímos”, finaliza.

Histórico do rádio

O título pela invenção das ondas do rádio se divide entre o cientista e inventor italiano Gugliemo Marconi e o brasileiro Roberto Landell de Moura, o padre Landell. No Brasil a radiodifusão chegou em 1922.

As peças com entalhes em madeira eram motivo de orgulho nas famílias mais ricas. Ficavam na sala, em lugar de destaque. Eram quase ornamentais. Nem a chegada da TV conseguiu ocupar um lugar de relevância como o rádio ocupou décadas atrás.

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