São Bento

Moradores se mobilizam para ajudar cães abandonados

Comunidade pede auxílio do município para programas de castração de animais a baixo custo

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Moradores se mobilizam para ajudar cães abandonados

Cães abandonados são encontrados com frequência nas ruas do bairro São Bento. Mas a comunidade costuma ajudar.
Os moradores Tatiana Carmiel e Josué Immich já haviam adotado três animais. Nas últimas semanas, acolheram a “Mamis”, que era mãe de três filhotes também adotados por outras famílias da vizinhança.
A cachorrinha passou três dias fugindo da casa deles, até se acostumar a ficar no canil, e logo fez amizade com os outros animais da residência. Diferente de uma outra cadela adotada anteriormente, que pelo relato de Tatiana parecia ter sofrido maus tratos.
“Nós tivemos que pedir a uma criança que brincava com ela para levá-la até a nossa casa, porque não conseguíamos nem chegar perto”, conta. Josué explica que a situação se repete com frequência no bairro, e que a maioria das pessoas não têm consciência sobre os cuidados com os animais.
“Nós entramos em contato com a Apama, mas acontecem tantos casos todos os dias, que eles não dão conta”, lamenta.
A sugestão, segundo Tatiana, seria a implantação de programas de castração a baixo custo, para evitar a reprodução descontrolada, o que resultaria em menos filhotes nas ruas.

Aumento dos casos

Na Apama, há cerca de 250 cachorros abrigados esperando pela adoção

Na Apama, há cerca de 250 cachorros abrigados esperando pela adoção


Outros moradores do bairro, Carolina Bussmann e Jardel Costa também encontraram cães abandonados. Faz cerca de um mês que viram os animais nas ruas. Mas depois de alguns dias, não apareceram mais.
“Um deles estava morto na rua, outros não encontrei mais e muitos acham alguém que lhes dê comida e ficam perto da casa ou mesmo em construções do bairro para dormir durante a noite”, explica Carolina.
A moradora acredita que uma das formas de diminuir o abandono seria a aplicação de multas para conscientizar as pessoas sobre o ato.
“Para mim, o ato de abandono é desumano. Não consigo acreditar que as pessoas conseguem descartar animais, seres tão indefesos da sua vida como se fossem nada”, lamenta.
Um dos cães aparece todos os dias na esquina da casa do casal, mas não os deixa chegar perto, por medo. Por isso, Carolina procura deixar um pote com ração para o animal.
Costa notou o aumento do abandono desde o início do ano. Segundo ele, alguns cães dormem debaixo de lixos, procuram casas e construções.
“Acho triste isso, uma falta de humanidade nas pessoas, que adotam um cachorro ou até compram e depois largam pelas ruas”, lamenta.

Para conscientizar

A ONG Amando, Protegendo e Ajudando Muitos Animais (Apama) atende cerca de 250 cães. Fora os cerca de 50 animais cuidados por voluntários, principalmente no bairro Santo Antônio.
Segundo Ana Rita Azambuja, criadora da ONG, a situação se repete porque ainda falta responsabilidade social com a causa na hora da compra ou adoção de um animal. Por isso, quando alguém se deparar com um cão ou gato abandonados, deve protegê-lo e ir atrás do tutor.
Ana Rita ainda sugere que sejam feitas “vaquinhas solidárias” para custear as despesas de atendimento veterinário dos animais até encontrar um lar definitivo para eles.
 

BIBIANA FALEIRO – bibiana@jornalahora.inf.br

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