Pavimentação comunitária

Programa completa dois anos com 128 obras

Modelo une participação civil e do poder público. Moradores destacam melhorias e também problemas, como má qualidade em alguns trechos e dificuldade em convencer proprietários de imóveis e terrenos para custear a pavimentação

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Programa completa dois anos com 128 obras

“Não foi fácil. Precisamos conversar muito e mostrar que era um benefício para todos”, diz o engenheiro agrícola Alfredo Farias Neto, morador da Av. Aury Stümer desde 2012. Ele foi um dos responsáveis por organizar a população local para buscar a pavimentação do trecho no bairro Moinhos D’Água.
Para conseguir a adesão dos moradores da rua, foi mais de um ano de mobilização. “O mais difícil foi encontrar os proprietários de terrenos sem construção. Depois disso, verificar a forma de pagamento. Eu, por exemplo, investi R$ 7 mil. É um valor expressivo. Para quem mora na esquina, foi ainda mais caro. Para alguns, chegou a R$ 11 mil.”
Ao que pese todo o esforço para conversar com os vizinhos e também o custo financeiro, afirma: “valeu o esforço. A nossa qualidade de vida melhorou bastante. Antes a poeira nos dias secos e o barro nos períodos de chuva eram incômodos constantes”, relembra.
O Programa de Pavimentação Comunitária completa dois anos. Foi pensado em tornar menos burocrático os processos para pavimentações nas ruas. Pela lei, a contratação da empreiteira fica por conta dos moradores, enquanto a administração municipal entra com a contrapartida da adaptação do terreno, tubulações, meio-fios e a preparação da cancha.
Como forma de celebrar a iniciativa, o governo municipal se reuniu na manhã de ontem com moradores, trabalhadores e empresários para uma inauguração simbólica da avenida. Na avaliação do prefeito Marcelo Caumo, o programa é importante por ter a participação da comunidade. “O engajamento faz parte do perfil de Lajeado. Com as parcerias entre poder público e moradores, foi possível fazer muitas obras.”
Na primeira fase do programa, de agosto de 2017 até o mesmo mês de 2018, foram 57 trechos, com um total de 82,3 metros quadrados de pavimentação. No mesmo período, até este mês, foram 71 obras, com um total de 85,9 metros.

Dois pedidos

Também morador da avenida, Alcínio Ricardo Andres conversava de perto com o secretário de Obras e Serviços Urbanos, Fabiano Bergmann. “Temos de dar um jeito. Tem que ter umas lombadas. Os motoristas tão correndo muito aqui.”
Ele concorda com Farias Neto sobre a melhoria na qualidade de vida. “Entrava muita sujeira dentro de casa. Tudo estava sempre coberto de poeira. Minha mulher falava: ‘bah, quando vamos conseguir fazer a pavimentação?”
Durante a cerimônia, em outra conversa paralela, com a vice-prefeita Gláucia Schumacher, estabeleceram um acordo. A grama nos canteiros será colocada pelo município. “Me comprometi. Agora vai ter, nem que eu venha plantar”, brinca Gláucia. Já a contrapartida, para cuidar dos espaços, fica a cargo dos moradores. “Pode deixar. Isso a gente faz”, afirma Andres.

Modelo em construção

Algumas trechos feitos pelo formato de pavimentação comunitária tem desagradado moradores. Um dels fica na Rua Nonoai, no bairro Universitário. A obra foi iniciada em junho, mas ainda não está concluída.
Moradores cobram o término do serviço e reclamam de bueiros entupidos e buracos que teriam sido causados pelo trabalho da empreiteira. Há pontos onde o cordão da calçada ficou torto e parte da rua já está se abrindo. A empresa responsável foi contatada e alegou falta de pagamento de alguns moradores. Ainda assim, se comprometeu em concluir a obra.
 

FILIPE FALEIRO – filipe@jornalahora.inf.br

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