Negócios em Pauta

Saúde afeta produtividade no trabalho

Enfermidades geram prejuízo para trabalhadores, empresas e sociedade

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Saúde afeta produtividade no trabalho

Os casos de adoecimento de trabalhadores e gestores aumenta a cada ano no Brasil. Os pedidos de afastamento aumentaram 25% nos últimos dez anos, liderados por condições como doenças mentais, dores crônicas e obesidade. O avanço desenfreado da tecnologia colabora para esse cenário.
Para discutir o tema, a Unimed Lajeado recebeu a edição de novembro do workshop Negócios em Pauta. O evento abordou como a saúde mental e corporal impacta na produtividade, e reuniu especialistas em, debate mediado pelo diretor do Grupo A Hora, Adair Weiss.
Participaram do encontro o médico Oncologista do CRON, Renato Cramer, a especialista em Desenvolvimento Humano e coach, Camila Ramanho e a pedagoga, pós-graduada em gestão de pessoas, Josilene Homercher.
Conforme Weiss, as corporações ainda não estão olhando para essas questões com a atenção merecida. Lembra que as enfermidades corporais e da mente custam caro. Camila Ramalho afirma que é percebível o adoecimento da população mundial e que a Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca as enfermidades mentais como a principal causa de mortalidade no planeta.
Para ela, parte desse cenário é resultado da enxurrada de informações provocadas pelo avanço da tecnologia e à necessidade de bater metas cada vez mais altas nas empresas. “Os trabalhadores não estão preparados mentalmente e não tem estrutura para alcançar os números projetados pelos gestores.”
Para Josilene, que trabalha no setor de RH da Conpasul, o principal desafio é como equacionar o resultado com a saúde. Segundo ela, as empresas devem cobrar, mas dar o suporte necessário e tentar compreender o colaborador. “Se temos uma meta para cumprir, precisamos dos profissionais para alcançá-la.”
Segundo ela, a empresa adotou, em parceria com o Sesi, a ginástica laboral como prática preventiva e uma vez por mês proporciona conversas com profissionais da saúde, como médicos e nutricionistas.
Para Renato Cramer, a saúde dos colaboradores é influenciada pelo exemplo dos líderes, mas também é preciso compreender que muitas pessoas gostam de viver na doença. “É mais fácil viver doente do que ser saudável. A pessoa pode se encostar e pegar atestados. O SUS oferece remédio e até cirurgia de graça.”
Por outro lado, ressalta que não existem prêmios para quem mantém boa saúde, não entra com atestados e tem os exames em dia. Segundo ele, falta estímulo das empresas para que seu colaborador seja mais saudável.
“Isso passa pela aproximação de lideranças positivas, de não tornar a competitividade em algo insalubre e de fazer parcerias com empresas que estimulem a saúde, como restaurante e academias”, afirma. Lembra que existem operadoras de saúde que oferecem planos empresariais de medicina preventiva, que ajudam o RH a trabalhar essa questão.

Mudança de hábito

Conforme Cramer, as pessoas costumam adquirir maus hábitos de acordo com o contexto social em que estão inseridas o que inclui as empresas em que trabalham. Lembra que na grande maioria dos bairros não existe estrutura para praticar esporte, mas sempre tem um bar para comprar bebidas e cigarros.
“O trabalhador se sente no direito de ‘entrar na garrafa’ no fim de semana ou fumar um cigarro atrás do outro, como forma de descarregar a ansiedade do dia a dia”, afirma. As consequências desse e outros comportamentos aparecem no longo prazo.
O médico lembra que mudar um hábito é muito difícil e demora mais do que 21 dias. Para Camila, isso acontece porque o cérebro é preguiçoso e sempre busca padrões mais fáceis. “É mais fácil chegar em casa e ligar uma televisão, um aparelho que suga a sua energia, do que conversar, ler, estar com outras pessoas em uma atividade saudável.”
Para ela, as pessoas acabam se isolando diante de tantos estímulos e especialmente pelo papel do celular. Defende que a decisão está na mão das pessoas, que podem decidir parar de gastar tempo com coisas que apenas tiram a energia. “Parar para pensar e mudar pequenas coisas gera um efeito enorme.”

Influência da tecnologia

A quantidade de ferramentas de comunicação disponíveis para trabalhadores e empresas preocupa. Celular, Email, whatsapp, skype, gtalk,entre outras, se transformaram contato instantâneo que muitas vezes ultrapassa a jornada de trabalho.
Para Camila são as pessoas que estabelecem a regra nesse tipo de relação. “Tem gente que leva o trabalho para casa porque o celular e o whats não param. Se você parar de responder, param de ligar”, acredita. Para ela, é preciso colocar limites, mesmo que as organizações queiram que todos trabalhem 24 horas por dia.
Josilene afirma que algumas ferramentas incomodam e que as pessoas sempre querem tudo com urgência. Lembra que um setor como o do RH recebe muitos e-mails por dia, mas que é importante saber filtrar a demanda que chega e ir respondendo aos poucos. que quem tá na outra ponta é tudo urgente.
Na opinião de Cramer, a tecnologia pode ser usada de uma forma saudável. Um celular pode pesquisar informações sobre saúde, cobrar exames periódicos ou contratar uma empresa de telemedicina. Equacionar a dose de tecnologia pode ser uma boa forma de reduzir o impactos.

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