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Preço do suíno bate recorde e sobe 74,1% no ano

Tendência é continuidade na valorização do suíno em 2020 devido à demanda externa e doméstica

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Preço do suíno bate recorde e sobe 74,1% no ano
Brasil

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostram a elevação recorde na cotação do suíno em 2019. Conforme o levantamento, o valor do quilo do suíno vivo era R$ 3,09 no início do ano. Na semana passada, chegou a R$ 5,38, aumento de 74,1%.

Principal motivo para a valorização da carne suína foi o aumento na demanda externa após casos da Peste Suína Africana (PSA) registradas em países da Ásia como a China. “Cerca de 30% da produção chinesa foi perdido em função da peste. A China é o maior produtor de suínos e teve de comprar do Brasil para garantir a demanda interna”, esclarece o presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), Valdecir Folador.

Outro fator que contribuiu foi o aumento da demanda interna. Folador destaca que, embora tenha valorizado, o suíno ainda possui um valor competitivo se comparado com a carne bovina que também registrou valorização neste ano.

“A carne suíno se tornou uma proteína substituta no cardápio do brasileiro. Comparado à carne bovina, ficou acessível”, percebe Folador.

Apesar dos consumidores sentirem esse aumento no bolso, aos produtores o ano representou um alívio às contas. Folador destaca que os preços mais altos auxiliaram os suinocultores a pagarem investimentos atrasados após período de desvalorização da carne em 2018.

Cotação alta para 2020

Expectativa das entidades é que o preço do suíno vivo se mantenha ou até aumente no decorrer do próximo ano. Para Folador, a demanda chinesa deverá continuar aquecida com exportações até maiores.

O presidente da Acsurs cita ainda a elevação de 3% a 4% na produção de suínos, mantendo um equilíbrio com a demanda. “Acredito que 2020 será novamente um ano positivo para o produtor”, prevê.

Presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos (Sips), José Roberto Goulart reforça a expectativa de Folador. Segundo Goulart, tendência é de manutenção no mercado externo.

Estado em vantagem

Oito frigoríficos do Rio Grande do Sul estão aptas para exportar para a China, informa Folador. Para o presidente da Acsurs, isso coloca o estado em vantagem no próximo ano. “A tendência é que essas plantas tenham um ano inteiro para fazer mais negócios e exportar mais carne suína para a China”, destaca. Entre as unidades habilitadas em novembro deste ano está o frigorífico da BRF em Lajeado.

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