opinião

Carlos Cyrne

Carlos Cyrne

Professor e vice-reitor da Univates

Assuntos e temas do cotidiano

É possível acreditar nos homens? Você decide

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Atualizado sexta-feira,
07 de Fevereiro de 2020 às 16:57

A construção mental desta coluna começou tão logo recebi os primeiros retornos sobre a coluna anterior. O amigo, de mais de 30 anos, Nascimento, sugeriu falar sobre dinheiro como sendo o que movimenta o mundo; a amiga Cleonice manifestou que não queria ter de votar, o amigo Adalberto sugeriu falar sobre o uso dos impostos.

Vamos lá, pensei um pouco sobre as sugestões e conclui que essas indagações levam a uma questão maior: ainda é possível acreditar nos homens? A dúvida se impõe, pois vivemos uma sociedade de indivíduos onde, como diria Bauman, todos os problemas em que podemos nos meter somos nós que criamos. Assim, dinheiro, necessidade de votar, uso dos impostos, são problemas criados pelos seres humanos (profícuos nesta tarefa).
É necessário considerar que, mesmo que eu seja responsável por minhas decisões, algumas estão condicionadas ao ambiente, a sociedade da qual faço parte. Afinal, faço história sob condições que não são, plenamente, de minha escolha. Neste contexto tem-se de confiar que aqueles que lideram a sociedade o fazem com boas intenções, porém não está claro em quem ou no que se pode confiar, já que ninguém parece estar no controle de como as coisas estão indo, não só no Brasil, mas no mundo todo.

Podemos supor o que nossos líderes deveriam fazer, no entanto, não podemos prever o que farão. Assim, a confiança passa a ser a forma de viver com a incerteza, assumindo os riscos de “nossas escolhas”. Se considerada no conjunto, dizia Nietzsche, a humanidade não tem objetivo comum nenhum. Vivemos uma sociedade individualizada, egoísta, repleta de inverdades, os homens acreditam naquilo que visivelmente é objeto de uma forte crença, geralmente imposta.

Não nos envergonhamos de pensar coisas sujas, mas de imaginar que tais pensamentos possam nos ser atribuídos. Os homens jamais fazem algo apenas para os outros, sem qualquer motivo pessoal, o que pode parecer justo em um primeiro momento, entretanto deveriam levar em consideração os benefícios de suas ações para a sociedade, antes de pensar em si ou nos seus. Talvez não devamos duvidar do caráter das pessoas, mas não precisamos acreditar em tudo o que dizem. Devemos, sim, observar o que (não) fazem.

Sabe-se que existem pessoas “más”, indignas de confiança, mas não confiar em ninguém por ter sido enganado em algum momento não fará uma sociedade melhor, é preciso acreditar que as pessoas “boas” são a maioria. O dinheiro é fonte de atrito, alguns poucos têm muito, muitos têm pouco, nosso voto decide quem irá dispor sobre a aplicação de nossos impostos. Podemos confiar no dinheiro e nos políticos? Uma frase atribuída à Eça de Queiroz diz “políticos e fraldas deveriam ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”. Achei sensacional, mas os políticos são uma parte da sociedade, “escolhidos” pelo voto e suportados pelo dinheiro, também dos nossos impostos.

O maior problema não está nos políticos, está em como os escolhemos. O que faríamos se estivéssemos no lugar deles? Temos de deixar de ser hipócritas, falando mal de tudo e de todos que fazem coisas que gostaríamos de fazer e não fazemos por medo (“O que você faz quando ninguém te vê fazendo…” Capital Inicial). Estamos tão acostumados com a hipocrisia dos homens que, por vezes, a sinceridade parece sarcasmo. “Quanto mais eu conheço os Homens, mais gosto dos gatos”.

É possível acreditar nos Homens? 0800..1 para sim, 0800..2 para não. Você decide.

bravo